O FIME apresenta uma edição marcada pela diversidade estética, inovação artística e encontro entre tradição e contemporaneidade. Ao longo do evento, Espinho transforma-se num ponto de convergência de culturas, linguagens musicais e artistas de renome internacional, consolidando a posição do festival como um dos encontros musicais mais relevantes da Península Ibérica.
A programação sinfónica começa com um concerto ao ar livre dedicado à música de cinema. A Orquestra Clássica de Espinho interpretará bandas sonoras icónicas de compositores como John Williams, Ennio Morricone, Henry Mancini e John Barry, numa homenagem à magia do cinema. No dia seguinte, a Real Filharmonía da Galiza apresentará o Concerto para Violoncelo de Elgar, com o destacado solista português Marco Pereira, bem como a Segunda Sinfonia de Sibelius e Mar ao norde, uma obra do compositor galego Fernando Buíde inspirada na poesia da Galiza. A música erudita ocupa um lugar central nesta edição. O romantismo intimista de Schubert e Schumann estará presente num recital de música de câmara dedicado à expressão da interioridade, revelando a cumplicidade e a mestria de Michael Barenboim com Elena Bashkirova. A pianista Elisabeth Leonskaja, herdeira da grande tradição russa, interpretará Schubert num recital dedicado à profundidade emocional do Romantismo, enquanto o virtuoso oboísta Albrecht Mayer apresentará um programa com o agrupamento residente do festival, no qual percorrerá Bach, Mozart e Mendelssohn, explorando toda a expressividade do instrumento.
Um dos traços identitários do festival é a superação de fronteiras geográficas, de estilos e de géneros. Na edição de 2026, o diálogo entre culturas está representado por Anouar Brahem, mestre tunisino do oud, que apresentará o álbum After the Last Sky. Ao combinar improvisação jazzística, heranças mediterrânicas e escrita de câmara, Brahem cria uma música profundamente poética situada entre África e Europa. Neste contexto de intercâmbio cultural, o pianista e compositor arménio Tigran Hamasyan apresenta o seu trabalho mais recente, Manifeste, no qual a música tradicional do seu país de origem se funde com estruturas de jazz contemporâneo e ambientes sonoros pessoais. A Orquestra Assintomática apresenta no FIME o álbum Saga (2025), nomeado para o Grammy Latino de Melhor Álbum Instrumental. Fundado por Martín Sued em 2020, este coletivo inspira-se nas orquestras da era de ouro do tango e mistura influências lusófonas e hispânicas. Juntamente com Yamandu Costa, uma das maiores figuras do violão de sete cordas, propõem uma viagem musical entre a tradição e a inovação, marcada pelo virtuosismo e pela criação coletiva. Explorando as fronteiras musicais, o agrupamento vienense Radio String Quartet revisita Bach e Vivaldi numa abordagem irreverente, transportando obras canónicas do Barroco tardio para uma linguagem contemporânea e ampliando os limites da tradição europeia.
Entre os grandes destaques desta edição conta-se Joe Lovano, uma das maiores figuras mundiais do jazz. Reconhecido pelo seu domínio absoluto do saxofone, pela liberdade com que improvisa e pela sua capacidade de transitar entre diferentes linguagens musicais, Lovano sobe ao palco acompanhado pela Orquestra de Jazz de Espinho. O encontro entre a experiência do músico norte-americano e a energia criativa do coletivo da OJE promete um concerto vibrante, no qual a improvisação assumirá um papel central num ambiente descontraído de verão. No universo do jazz contemporâneo, o saxofonista norte-americano Steve Coleman apresenta-se no FIME com os Five Elements, um grupo histórico que redefiniu os caminhos da improvisação criativa nas últimas décadas. Ao integrar influências de várias comunidades da diáspora africana, Coleman desenvolveu uma linguagem musical singular, marcada pela complexidade rítmica e pela procura constante de novas formas de expressão. A relação entre a música popular brasileira e o jazz será celebrada com Toninho Horta. Figura incontornável do Clube da Esquina e colaborador de nomes como Milton Nascimento e Lô Borges, o guitarrista mineiro apresentará um concerto ao ar livre que celebrará a riqueza da música popular brasileira. Com uma linguagem profundamente sofisticada, Horta construiu uma obra que ultrapassou fronteiras e estabeleceu pontes entre o jazz, o rock e a tradição brasileira.
A programação abrange igualmente repertórios históricos. Na Capela de Santa Maria Maior, Tiago Matias apresenta um recital de guitarra barroca baseado no Codex Gulbenkian, recuperando obras dos séculos XVII e XVIII e revelando as intersecções entre a música europeia e as tradições afro-atlânticas do espaço lusófono. Outro momento memorável terá lugar na Igreja Matriz de Espinho, com a participação do Ensemble Bonne Corde, que apresentará o Requiem de Mozart, na versão preservada na Catedral de Évora, arranjada para um pequeno agrupamento instrumental e cantores solistas. Esta peça testemunha as adaptações da obra às práticas musicais portuguesas do final do Antigo Regime.
O encerramento do festival ficará a cargo da Orquestra Clássica de Espinho e do acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen, numa celebração da música. O músico interpretará UNIKO, uma obra criada em colaboração com Samuli Kosminen e originalmente concebida para o Kronos Quartet. Nesta peça, a fusão de elementos acústicos e eletrónicos cria uma experiência intensa e plurisensorial, na qual a tradição e a inovação se cruzam, fazendo ecoar em Espinho as sonoridades contemporâneas da Finlândia. Com uma programação que atravessa geografias, épocas e estilos, o FIME afirma-se como um espaço privilegiado de descoberta, diálogo e celebração musical.
Mais informações do programa: https://www.musica-esp.pt/festival-internacional-de-musica-de-espinho/programacao-bilheteira
Local: Praça Dr. José de Oliveira Salvador (Câmara Municipal de Espinho)