A Praça Dr. José Oliveira Salvador encheu-se na noite da passada quarta-feira, 12 de agosto, para uma sessão de cinema ao ar livre muito especial. A exibição do aclamado filme "Cinema Paraíso", da autoria de Giuseppe Tornatore, reuniu mais de uma centena de pessoas , num momento de partilha e evocação histórica.

Organizada pelo Município de Espinho em parceria com a Fundação INATEL – Delegação do Porto, a iniciativa esteve integrada no projeto Cinema Fora do Sítio e teve como grande propósito assinalar os 130 anos da chegada do cinema a Espinho. Ao levar a sétima arte para o espaço público de forma gratuita, o evento garantiu o acesso democrático à cultura e dinamizou o centro urbano da cidade.

Esta celebração assumiu um significado particular para a memória coletiva de Espinho, homenageando o legado cultural e a tradição cinematográfica do concelho, fortemente marcada ao longo de gerações pelo histórico Cinema São Pedro, equipamento de referência na afirmação da cultura cinematográfica local.

130 Anos de Cinema em Espinho: Uma história de amor com a sétima arte 🎬✨

Sabia que Espinho foi o terceiro lugar de todo o país a ver cinema? Corria o ano de 1896 quando a magia das imagens em movimento chegou à nossa praia, logo a seguir a Lisboa e ao Porto, para uma sessão histórica no antigo Teatro Aliança.

Desde essa primeira projeção até à época de ouro das salas espinhenses, o cinema passou a fazer parte da identidade da nossa terra. Dos animatógrafos no Café Chinês e no Salão do Clube I às comédias de Max Linder no Cinematógrafo Avenida, a paixão pelo ecrã gigante cresceu e consolidou-se.

O grande símbolo desta memória coletiva viria a nascer no verão de 1947: o mítico Cine-Teatro São Pedro. Inaugurado com o filme "Os Vizinhos do Rés-do-Chão", aquela sala de 1350 lugares tornou-se o nosso Cinema Paradiso. Foi o palco onde gerações de espinhenses esgotaram sessões com o eterno "Capas Negras" nas Festas da N.ª Sr.ª da Ajuda, riram com Charlot e Cantinflas, vibraram com as "coboiadas" e assistiram ao nascimento do Cineclube de Espinho e das primeiras edições do CINANIMA.

Até ao seu fecho em 1982, o São Pedro não foi apenas uma sala de espetáculos — foi um catalisador de memórias, encontros e sonhos projetados numa tela gigante que levou milhares de nós para outros mundos sem sair de Espinho.

Assista ao vídeo e faça connosco esta viagem no tempo pelos fragmentos de vida que marcaram a nossa história cinematográfica!