Festival Cinema Imersivo IFF2019 premiou os melhores

McDonalds_530x80_baixonoticia

O Planetário de Espinho acolheu, de quinta-feira a domingo (17 a 20 Outubro), a sua bienal de cinema imersivo, a que este ano concorreu 50 filmes de 18 países, todos para projeção em telas a 360 graus, com tecnologia 2D ou 3D.
Tendo em 2019 a sua quinta edição, o chamado IFF (sigla para “Immersive Film Festival”) levou assim à cúpula do planetário vários filmes que, dadas as suas elevadas exigências tecnológicas a nível de gravação e reprodução, apresentam uma duração tipicamente não superior a 35 minutos, e tendeu a privilegiar temas relacionados com ciência.
Essa propensão temática deve-se ao facto de os espaços mais adequados para cinema em telas a 360 graus serem planetários já habitualmente empenhados na divulgação de produções sobre astronomia e outras ciências.
O astrónomo António Pedrosa é o diretor do Planetário de Espinho e, assumindo também a direção daquele que foi “o primeiro festival europeu de cinema imersivo”, declara que, comparativamente a anteriores edições do evento, o programa de 2019 evidenciou “um notável avanço tecnológico nos seus filmes, quer em termos de narrativa, quer no que se refere à própria produção”.
Como o evento só se realiza a cada dois anos, é certo que, entre uma edição e a seguinte, se regista um assinalável “crescendo da qualidade” entre as obras a concurso, mas o desenvolvimento do setor foi particularmente evidente no programa de 2019, em que “quase todos os filmes são estreias nacionais”.
António Pedrosa explica que essa consolidação do cinema imersivo se deve ao ritmo de crescimento das respetivas audiências. “A evolução tem sido grande pois, nos últimos anos, esta tecnologia passou a estar mais acessível ao grande público, o que permite que o envolvimento por parte de criadores e produtores seja cada vez maior”, defende.
Quanto ao teor das obras em competição em 2019, o astrónomo realçou: “Houve filmes muito interessantes, desde os completamente abstratos, que nos levam a passear pelos mundos dos fractais, até aos que abordam criações artísticas de cariz muito particular, como as da arte japonesa”.
O programa da quinta edição do IFF incluiu ainda “um concerto imersivo a 360 graus por Surma”, no qual a artista portuguesa com carreira internacional apresentou temas do álbum “Antwerpen”, envolta pela projeção de um “vídeo audiorreativo” registado ao vivo.
“A criação visual esteve a cargo do DJ Pixel Bitch, conhecido pelo seu trabalho como VJ e Mapper em diversos eventos de videoarte, e a imagem foi lançada como se de um instrumento musical se tratasse, acompanhando e interagindo em tempo real com o trabalho de Surma”. Todos os conteúdos do concerto foram “originais e gerados em tempo real”, para que, mediante o acréscimo de formas 3D ao espaço e de reações ao áudio, o público experimente “uma total sensação de imersão” no espetáculo.

OS VENCEDORES DO IFF 2019
—- Curtas —-
Melhor Banda Sonora:
Júri: Pela riqueza e impacto da sua banda sonora junto da audiência.
Vestige (Vestígio)
País: Reino Unido
Produção: NSC Creative
Realização: Aaron Bradbury


Melhor Imersão:
Júri: Pela exploração da homogeneidade na transição entre diferentes lugares sem qualquer quebra.
Urban Levitation (Levitação Urbana)
País: Alemanha
Produção: Studio Schwitalla
Realização: Sergey Prokofyev

Prémio do Público:
Fractal Time (Tempo Fractal
País: Holanda
Produção/Realização: Julius Horsthuis

Melhor do IFF19:
Júri: Pela simplicidade, ritmo, adequação ao espaço e grande beleza artística.
The great Waka (O Grande Waka)
País: Nova Zelândia
Produção: OHU fx
Realização: Frank Rueter, Matt Pitt

—- Sessões Completas —-

Menções Honrosas:
Júri: Pelo valor da obra como um todo, da produção, que envolve visualizações científicas detalhadas associadas a uma enorme beleza artística.
Birth of Planet Earth
(Nascimento do planeta Terra)
País: EUA
Produção: Spitz Creative Media
Realização: Thomas Lucas

Júri: Pelo cariz inovador e diferenciador desta produção.
Hiruko
País: Japão
Produção: HIRUKO production committee
Realização: Masashi Lida


Melhor Banda Sonora:
Júri: Pelo desenho de som desta produção que em muito contribui para marcar o ritmo e conduz com rigor o espectador, enriquecendo as diferentes cenas.
Birth of Planet Earth (Nascimento do planeta Terra)
País: EUA
Produção: Spitz Creative Media,
Realização: Thomas Lucas

Melhor Imersão:
Júri: Pelo detalhe desta fantástica produção, associada ao continuo quer da narrativa quer da viagem proporcionada ao espectador.
Expedition Reef (Expedição ao recife)
País: EUA
Produção: Academia de Ciências da Califórnia
Realização: Ryan Wyatt


Sessões 3D:

– Menção Honrosa:
Júri: Pela qualidade da produção associada à eficácia do seu 3D.
Explore
País: Polónia
Produção: Creative Planet
Realização: Maciej Ligowski

– Melhor sessão 3D:
Júri: Pela exploração efetiva do 3D, como ferramenta enriquecedora da imersão.
CAPCOM GO! The Apollo story (CAPCOM GO! A história da Apolo)
País: Reino Unido
Produção: NSC Creative
Realização: Max Crow

– Melhor do IFF19:
Júri: Pelo somatório global da história, animação, enredo, imersividade associada a um controle da iluminação, que lhe confere uma qualidade estética singular.
Lucia, the secret of the shooting stars (Lúcia, o segredo das estrelas cadentes)
País: França
Produção: Planetarium de Saint-Etienne
Realização: Laurent Asselin

Artigos Relacionados