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"Sonhos Submersos" de António P. Correia

António Pinto Correia apresentou no passado domingo, dia 31 de Janeiro, no Centro Luso Venezolano o seu recente livro "Sonhos Submersos" onde ele aqui nos conta uma história verídica de uma mulher que conhece amor, abandono, doença grave e por fim a sua morte.

António Pinto Correia descreve como se fosse ficção a densa especificidade da experiência pessoal desta mulher chamada Soledade que conheceu a paixão e o desamor, acompanhando-a na dormência e nos despertares do sonho. Este romance invadido pelo oceano de memórias de Soledade, emigrante portuguesa na Venezuela que retorna ao seu país de origem e a uma vida de pobreza e solidão, pela mão do único homem que amou. A narrativa privilegia o espaço interior, a mente da protagonista, que se desdobra em visões. O sonho, a desolação, a busca de ânimo, a exaustão, a suspensão do tempo, a sensação intensa de fim, a sobrevivência e a morte, são-nos oferecidos através da expressão intensa da emoção de quem tem fé em Deus mas conclui que os homens são bichos da terra. Deus escreve direito por linhas tortas ou Deus algum cometeria esse pecado? Soledade poderia ser um personagem do absurdo camusiano.



Em "Sonhos Submersos", a vida interior é transformada em linguagem interior, tautológica, dominada pela nostalgia e pela contenção da angústia. Escutamos o silêncio que emerge, em paralelo, da coreografia e da geografia dos corpos. Em cada frase-gesto, encontramos as marcas de uma vida de submissão, impotência e isolamento. A. Pinto Correia resgata Soledade ao seu silêncio através deste exercício de escrita. E convida-nos a escutá-la, a fazer justiça pelo acto de leitura.

A escrita de António Correia é bastante acessível e com uma grande capacidade em nos transmitir os sentimentos das personagens. Sejam eles sonhos, desespero, ânimo ou amor. "Sonhos Submersos" é um livro que nos deixar a pensar.

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